Resenhas

Vencer ou Aprender de John Kavanagh


Uma morte no octógono, foi algo que John nunca havia imaginado até aquele dia. Num evento local seu atleta Charlie Ward golpeava o português João Carvalho na cabeça até o árbitro encerrar o combate, após a luta o jovem foi levado ao hospital e faleceu dois dias depois. “Nunca pensei que um dia teria que ir aos pais de alguém e dizer, desculpe, seu filho faleceu sob minha guarda. Nunca imaginei isso. Pensei pelo outro lado também e se tivesse que contar isso a esposa de Charile?” Essas e outras passagens são descritas em sua biografia chamada “Vencer ou Aprender” da editora Penguin, ainda sem data de lançamento no Brasil.

Desde pequeno John Kavanagh demostrava sua paixão por lutas, nascido na Irlanda, um país com fortes tradições no Boxe, era um proeminente campeão local de Karate, quando foi brutalmente atacado por um grupo de sete pessoas, o incidente o fez questionar o quão eficiente era a arte marcial que praticava em um combate real, fora das regras do tatame. John pensava nesse incidente constantemente fazendo moldar seu estilo, que mais tarde seria colocado a prova novamente. Não há dúvida que John, foi um dos pioneiros do MMA na Irlanda, responsável pela invasão Celta no Ultimate, introduziu o Brazilian Jiu Jitsu para o país e posteriormente as Artes Marciais Mistas na década de 1990. Em 2001 fundou a em Dublin a Straight Blast Gym ou simplesmente SBG, seleiro de todos os irlandeses que passaram pelo UFC como, Tom Egan, Patrick Holohan, Cathal Pendred, Aisling Daly e muitos outros mas a história muda quando um jovem visita sua academia…

John Kavanagh e Conor McGregor são dois nomes que se relacionam como numa simbiose, é impossível falar de John sem mencionar Conor, sua carreira vitoriosa teve enorme influencia de seu treinador, nessa biografia a história dos dois se confunde as vezes, ambos são protagonistas nessa jornada de sucesso. Na obra escrita por John, ele relata curiosidades na carreira de ambos, alguns momentos polêmicos como a confusão envolvendo a coleta de urina para exames de doping de José Aldo e momentos polêmicos. Não espere revelações bombásticas, trata-se mais de uma reconstituição de fatos ocorridos na trajetória profissional de ambos e reúne também fundamentos utilizados na busca pela excelência no MMA. O livro se inicia com prefácio de seu pupilo Conor McGregor.

“A primeira vez que fui apresentado para John Kavanagh em sua academia foi ha dez anos. Eu estava desanimado com a vida. Tom Egan, meu colega de escola estava treinando MMA há um tempo. Eu era um excelente boxeador mas eu queria tentar o MMA. Tom me garantiu que John era o único cara em todo país que eu deveria trabalhar se eu quisesse chegar em algum lugar nesse esporte. Eu confiei em suas palavras. Antes de conhece-lo, eu imaginava um cara enorme, imponente. Mas na realidade, ele parecia um cara normal – mais parecido com um professor de Ensino Médio do que um professor de Artes Marciais. Mas não durou muito para que minhas impressões mudassem. Quando John começou a mostrar seu conhecimento, ele se distinguia como um indivíduo único e rapidamente entendi o quão especial ele era. Era fácil ver o porquê de sua grande reputação. Houve um momento em minha vida que eu estava saindo com pessoas erradas, me afastando da academia e seguindo um caminho perigoso. John não tinha a menor obrigação de fazer algo, mas ele foi lá e garantiu que eu não fosse naquele caminho, onde não haveria retorno. Sua intervenção foi um ponto de mudança não só em minha carreira como lutador, mas em minha vida como homem. O que teria sido de minha vida se John Kavanagh não tivesse aparecido? Certamente não saberei a resposta, tudo que sei é que sou grato por não ter que pensar sobre essa resposta.”

Com ascensão de seu pupilo, John narra todos os bastidores da famosa e controversa divulgação da luta contra o brasileiro José Aldo. “A luta pelo cinturão contra José Aldo foi anunciada como a maior luta da história do UFC, como foi evidenciado pela organização ao nos embarcar num tour de divulgação pelo Mundo, em março de 2015. Começando no Rio de Janeiro e terminando em Dublin, o tour passou por Brasil, EUA, Canada, Inglaterra e Irlanda. Uma das minhas primeiras lembranças foi que eu me senti um pouco de pena por José, sendo atormentado por Conor a cada dia por quase duas semanas, mas para os fãs isso foi bem divertido e isso era um indicativo de como a luta seria importante para o UFC. Era algo que nunca haviam feito.
Quando Conor ficou cara a cara com Aldo após a luta contra (Dennis) Siver em Boston, Aldo não parecia tão incomodado. Mas ao longo do tour de divulgação Conor cutucou e provocou Aldo, e estava ficando claro que ele não estava gostando muito. Num estúdio de TV, Conor, pegou no pescoço de Aldo e agarrou subitamente seu cinturão enquanto ele não estava atento. O treinador de Aldo, André Pederneiras disse à Dana White que avisasse a Conor para não fazer nenhum contato físico com ele. Assim que Conor soube disso não conseguiu resistir.”

Uma parte interessante da obra é como o time de McGregor recebeu a noticia da lesão de Aldo. John narra que Dana e Fertitta foram até a mansão em que estavam hospedados, deram a noticia a ele. O mesmo quase aconteceu com o times do Irlandês mas era muito dinheiro em jogo para fazer Conor abrir mão da luta, como relata a seguir: “John, más noticias. Pode me ligar? Meu estômago começou a revirar quando li essa mensagem de Artem (Lobov, companheiro do irlandês). Ele e Conor estavam no Canada para a parte final do tour do UFC 189 pelo Canada, eles ainda iriam para Londres e Dublin. Quando liguei para Artem, ele me disse o que eu não queria ouvir: Conor machucou o joelho.
Artem contou que Conor e Rory MacDonald – que estava escalado para enfrentar o campeão Robbie Lawler no mesmo evento, estavam treinando juntos de tarde. Nada extenuante, só um pouco de grappling. Mas durante o treino Rory se lançou no joelho esquerdo dele – o mesmo que havia lecionado contra Max Holloway. Naquele momento Conor já havia passado no médico e eu estava com medo da resposta: – Artem, é muito grave? Não vou mentir, disse ele. Não parece nada bom”. Todos sabemos hoje que essa noticia foi mantida em segredo pelo seu time e ninguém ficou sabendo. Na noite do UFC 189 Conor conseguiu o cinturão interino, vencendo Chad Mendes. Ao final da luta a notícia surgiu, Conor havia lutado lesionado.

Josh, narra também os bastidores dos dias que precederam a vitória contra Aldo: “O desenrolar da luta contra Aldo estava gerando uma onda de cobertura sem precedentes, cada postagem nossa nas redes sociais viravam notícia na mídia. Um desses sites em particular postava cada evento que acontecia dentro de nossa mansão. Coisas do tipo ‘Você não acredita o que Conor McGregor comeu no café da manha, clique aqui para saber’… As fotos e vídeos compartilhados na internet fazia parecer que estávamos apenas nos divertindo, mas era apenas alguns minutos de cada dia. A maioria do tempo era entediante, sem contar as horas que passávamos na academia, ficávamos fechados em casa a maior quase dez semanas. Uma parte de nós queria sair outra preferia descansar e se recuperar dos treinos. Tirar Conor da cama para qualquer coisa que não fosse treino não era nada fácil”. De fato a mídia queria saber tudo, mas Conor adorava essa exposição, neste camp em especial seu time estava em uma mansão alugada em Las Vegas, Conor, convidou o reporter Peter Carrol, um pioneiro fã de MMA na Irlanda, para cobrir uma semana o que acontecia na ‘Mac Mansion’.

A lição que Kavanagh deixa em seu livro é que não pode existir medo na derrota, perder não é tão importante, serve como lição para aprender o que deve ser melhorado. A excelência vem com a compreensão de áreas em que você não é tão bom quanto outras, melhorar o que está errado. Perder uma luta. Não obter sucesso no trabalho. São coisas naturais da vida. Mas o mais importante é cair, levantar e aprender.

Título: Win or Learn / Vencer ou Aprender
Autor: John Kavanagh
Páginas: 226
ISBN: 1844883817
Editora: Penguin
Onde comprá-lo:Livraria Cultura
Preço: R$67,29

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