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UFC 207: Retorno de Ronda!


Nesta sexta-feita (30/12) Ronda Rousey fará a luta principal do UFC 207 em Las Vegas, Nevada, contra a brasileira Amanda Nunes, atual detentora do Cinturão Peso Galo Feminino. Mais do que a disputa pelo cinturão, essa luta marca a volta de Ronda ao octógono. E quando se trata de Ronda, a disputa vai muito mais além do que uma disputa pelo título. Honra, respeito e um legado estão em jogo.

Ronda Rousey permanece, ainda hoje, um ano após sua primeira derrota no octógono, como figura singular na história do UFC e uma das maiores atletas da franquia. Aparentemente recuperada ⏤ física e mentalmente⏤ de sua derrota brutal para Holly Holm, no UFC 193, Ronda está de volta. Nas poucas vezes em que é vista – ela esteve enclausurada nos arredores de Las Vegas, onde mora – transmite confiança em suas declarações. Ainda que esteja em jogo nesse domingo seu prestígio como estrela da organização, seu legado vai além, segue sendo um dos maiores personagens do esporte. As pessoas assistem sua luta ou porque a amam ou porque a odeiam, tamanha é sua personalidade.

Sua primeira batalha, foi pela vida, em 1987, no Condado de Riverside, enrolada no próprio cordão umbilical, mole e azul, os médicos presumiam que já estava morta mas Ronda nunca desiste. Ela recuperou a consciência mas não sem consequências. Para falar suas primeiras palavras levou mais de um ano e as dificuldades para andar levaram seus pais a crer que ela teria problemas para o resto da vida.

O gosto da derrota não é algo incomum para Ronda, no auge de sua carreira no Judo, indo como judoca mais jovem dos jogos foi eliminada em sua estreia nas Olimpíadas na Grécia. Sua adversária era Claudia Heill. Ronda acreditava que Claudia havia tomado dela toda a felicidade que uma medalha traria nos Jogos Olímpicos. Alguns anos depois Claudia cometeu suicídio, se jogando prédio onde morava na Austria. “Eu estava convencida de que se eu tivesse ganho a medalha tudo seria diferente. Sua morte me abalou muito. Eu sentia tanta raiva dela, eu sentia como se ela tivesse roubado não só a medalha de mim, mas minha felicidade. Quando eu perco uma luta, sinto como se a pessoa ganhasse tudo isso. Quando ela morreu eu já tinha ganho uma medalha minha e logo percebi que isso me trouxe pouca alegria.

Quatro anos mais tarde, Ronda brilharia em Pequim, na categoria até 70kg, conquistando a medalha de bronze. “Quando eu voltei da China, eu decidi dar uma pausa. Passei o ano fazendo tudo que podia para acabar com todo esforço que dediquei ao meu corpo. Não sabia exatamente o que queria, mas eu sabia que algo teria que mudar. Trabalhar meu corpo para conquistar o sonho olímpico me fez infeliz. Eu queria uma vida normal. Queria um apartamento e ir a festas”, revela Ronda em sua biografia. Curiosamente, após perder sua invencibilidade para Holm, Ronda passou cerca de um ano em isolamento de mídia e fãs assim como em 2008. “É como deixar a barba crescendo e viver numa caverna, sabe?” brinca Ronda, em entrevista à Revista ESPN.

Para Ronda, derrota é algo importante no processo de formação de sua força interior, que só será esquecida após uma nova vitória: “Eu não aprendo com vitórias passadas. Sempre preciso de uma nova, por isso cada luta significa um Mundo para mim. Sempre esqueço das vitórias mas as derrotas ficam comigo para sempre. Cada derrota parece como se uma parte de mim morresse. Nunca sou a mesmo após uma derrota. Para mim, uma derrota só é pior que a perda de alguém que amo.

Ainda me dói lembrar da pessoa que poderia ter ganhado tudo. Agora tenho que conviver com o fato de que eu não sou mais essa pessoa. Ela é só quem eu gostaria de ter sido. Hoje eu sou quem eu, preciso ser para mim e para a todo mundo. É importante passar por essa etapa de aceitação e de renovação de otimismo. Estou voltando para conquistar esse título para as pessoas que acreditaram em mim. Ele (o cinturão) é tudo pelo qual trabalhei minha vida inteira. Tudo depende disso. Tudo está em jogo.” diz Ronda nas gravações para promoção do UFC 207.

Ronda lutará nesse sexta-feira sem o peso da invencibilidade nos ombros, algo que já experimentara em sua carreira como Judoca. Vencendo ou perdendo Ronda já garantiu seu nome no Hall da Fama do UFC, a lutadora que abriu as portas para mulheres no maior evento de MMA do Mundo.

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