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Dana White continua lutando!


O artigo abaixo foi escrito originalmente pelo colunista norte-americano Jason Gay, e publicado na edição impressa de hoje (13/01) do jornal The Wall Street Journal.

Quando esse acordo de grande impacto se concretizou Dana White, admite ele quase surtou. No verão passado, um grupo liderado pela agência de celebridades WME-IMG comprou o Ultimate Fighting Championship por $4 bilhões — fazendo White, que detinha uma parte da compania que era originalmente de seus amigos, os irmãos Lorenzo e Frank Fertitta, um homem um tanto quanto rico. A parte de White gira em torno de $350 milhões. E, no entanto, a venda provocou uma certa crise existencial no presidente sem papas na língua da maior franquia de artes-marciais. “Eu fiquei mal,” confessa White. O que White faria agora? O ex-boxeador com raizes em Boston, cabeça raspada, agora com 47 anos passou mais de uma década e meia incansavelmente empurrando um prematuro esporte do nada ao main stream.

A mega venda confirmou o sucesso de White. O UFC conseguiu. E mesmo assim para White, parecia o fim, ele comparou a venda a um divórcio. Ele não gosta nem de comentar sobre isso. “A questão da grana me ferrou também”, disse White. “As pessoas me perguntam, ‘agora, com todo esse dinheiro, o que você vai fazer?’ bem, não é como se eu não tivesse dinheiro antes. Eu não era um cara que apostava na sorte, não tinha nada mais que eu precisava ou queria.”

White diz que seu amigo skatista e artista de TV Rob Dyrdek, o perguntou: como você levanta de manhã e coloca seus sapatos para correr uma corrida que já ganhou? Foi quando White percebeu: ele não sentia como se tivesse ganho nada. Pelo menos não ainda. “Eu sentia como se tivesse muito mais para fazer nesse esporte,” disse ele.

White sentara em sua cadeira. Era tarde de sexta-feira, 10 de fevereiro em um estúdio de TV na baixa Manhattan. O chefão do UFC estava vestido com sua marca registrada: jeans, tênis e uma camisa manga cumprida de baseball. Na noite passada, White estava em Brooklyn, para o UFC na Barclays Center, em Nova York, no segundo maior público da franquia, desde que o estado revogou a controversa proibição no ano passado.

Estamos indo cara,” disse entusiasmado White. “Eu tenho uma lista enorme de potenciais novas estrelas que estão chegando”. Ele estava de volta, energizado, após seis meses cruciais para o UFC: o evento que marcou a edição 200, a venda dramática da franquia, a estréia em Nova York, a ascensão continua do irlandês Conor McGregor e ainda a derrota crucial de sua amiga e pioneira do MMA feminino Ronda Rousey.

Em quanto isso, no meio de todos esses eventos, White ainda discursou na Convenção do Partido Republicano e assistiu seu amigo de longa data Donald Trump tomar a Casa Branca. Ele ainda fez questão de mencionar sua invencibilidade jogando ‘blackjack’. “Estou numa invencibilidade que é foda, épica,” diz White sorrindo. “Estou acima de três milhões.

Os dias de humildade quando White se preocupava em manter o UFC a deriva parecia uma história de filme. A beira do colapso, os Fertitta compraram o UFC em 2001 por $2 milhões, a marca hoje é global. White diz que ele está focado particularmente em introduzir o UFC na Russia e China. Ao mesmo tempo, as artes-marciais não estão imunes a problemas que qualquer esporte em ascensão enfrenta para adaptar-se ao habito dos espectadores, em especial, a TV.

White brinca sobre quando era criança, corria para casa por volta das 20h para assistir seu programa favorito, a série de motocicletas “Chips”. Em comparação com seus filhos, que praticamente não assistem televisão e preferem ver seus programas em aparelhos portáteis. “Acredito que esse negócio de TV à cabo vai ruir,” profetiza White. “Essas crianças da nova geração não assistem mais TV, estou falando das pessoas de 28 anos também, eles não tem mais TV a cabo.”.  Era um cenário previsto. White recorda-se de como ter uma TV a cabo era importante para ele e seus colegas em Boston, décadas atrás. “Se você era um ferrado sem dinheiro, você tinha todos canais de tv,” disse ele rindo. “Você não vivia sem tv a cabo, hoje as crianças não vivem sem celular.”.

White acredita que o UFC está preparado para alcançar essas audiências jovens, sejam elas quem for. Ele diz que sua motivação vem do fato de os críticos dizerem que os novos donos pagaram muito dinheiro pelo UFC, ele quer mostrar que o pessimismo dos críticos está errado. “Eu tipo..vivo para isso” diz ele. Ajuda o fato de que McGregor, o atual atrevido e eloquente super astro não apenas do MMA mas dos esportes. “Um unicórnio,” é como White descreve o atleta de 28 anos, que é tão cruel com sua boca como é com os punhos dentro do octógono do UFC. No momento, McGregor está esperando o nascimento de seu filho com a namorada Dee Devlin, mas está de olho no vencedor da luta entre Khabib Nurmagomedov e Tony Ferguson, em Maio, diz White. Sobre a especulação de que McGregor poderá enfrentar Floyd Mayweather, White admite que ambos são “muito, muito bons em fazerem parecer relevantes mas não acabar fazendo absolutamente nada”.

Para Rousey, White reconhece que foi difícil vê-la perder novamente, dessa vez para brasileira Amanda Nunes. “Ver alguém que você gosta perder daquela forma é difícil,” diz White. Ao mesmo tempo o impacto que Ronda teve no esporte foi inegável. O evento de pay-per-view desse fim de semana foi liderado por duas mulheres, Germaine de Randamie venceu Holly Holm de forma unânime. “Essa é a divisão que Ronda criou,” diz White. “Nenhuma delas existiria se não fosse por ela.”.

White se orgulha de sua lealdade. Esse foi o motivo de White — que se diz não ser Republicano, votou em Obama em 2008 e agora decidiu discursar para o candidato Trump na Convenção do Partido Republicano em Cleveland, apesar do conselho de seus colegas mais próximos de ficar de fora da campanha. “Todos diziam para eu não ir”, disse White. “Esse cara me ajudou, ele me pediu para discursar, e eu ia dizer não a ele? De jeito nenhum.”. Na noite da eleição White estava em Nova York, celebrando o aniversário de casamento com sua esposa, Anne. Após o jantar, eles voltaram para o Hotel Peninsula – onde Hillary Clinton estava. “Ele me ligou e disse nós vamos vencer essa coisa, venha para o hotel Hilton,” recorda-se White. “Eu estava de cueca pronto para dormir! Eu pulei da cama me vesti e fui lá.”. Para o primeiro mês na Casa Branca, White, que sabe uma coisa ou outra de embates públicos aconselha “respire fundo”. “Seu estilo nunca foi antes visto em um presidente.” diz White. “E para ser honesto com você, isso pode parecer estranho mas seu estilo é o jeito como vivemos o Mundo hoje.” O homem que ajudou reinventar o esporte na América parece certo outro vez.

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