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UFC 214: Jon Jones encerra o capítulo Cormier de sua história


Nesta noite, Jonathan Dwight Jones, mais conhecido como Jon Jones encerra um dos capítulos mais controversos de sua carreira. John Jones enfrenta seu maior rival, o também norte-americano, Daniel Cormier, pelo cinturão dos Meio-Pesados do UFC hoje, no UFC 214.

A primeira luta entre ambos ocorreu no UFC 182, Jones venceu Cormier por decisão unânime e manteve o cinturão dos Meio-Pesados. Meses depois foi destituído de seu cinturão, depois de provocar um acidente de trânsito e de fugir do local sem socorrer uma das vítimas, que estava grávida e acabou quebrando o braço.

Após ser reintegrado ao UFC, depois de quase um ano de gancho, Jones enfrentaria o campeão Daniel Cormier no UFC 197 pelo cinturão peso meio pesado, no entanto, Cormier (campeão à época) se lesionou e foi removido do card. O adversário encontrado de última hora para o combate (valendo o cinturão interino) foi Ovince St. Preux, que perdeu por decisão unânime. Apesar da vitória, vimos um Jon Jones diferente do que estávamos acostumados, estava menos agressivo e mais lento, mas isso não muda o fato de ter dominado St. Preux em todos os rounds. Após a luta Jones afirmou que não se importava com o título Interino, pois ele queria o verdadeiro cinturão que estava nas mãos de Daniel Cormier.

Enfim, o duelo tão esperado entre Jones e Cormier deveria acontecer. A unificação do título estava marcada para o UFC 200. Porém, menos de 72h antes do dia da luta o USADA, agência antidoping americana, informa ao Ultimate através de Jeff Novitzky, vice-presidente de Saúde e Performance do UFC, que uma substância proibida foi encontrada em amostras do lutador. Novitzky investiga o uso de esteroides nos esportes há anos pelo Serviço de Receita Interna do governo federal dos EUA, e é agente especial da Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês) desde 2008. Ele teve papel decisivo em algumas das investigações que desmascararam esquemas de doping envolvendo alguns dos maiores nomes do esporte mundial, como Marion Jones, Tim Montgomery, Justin Gatlin e o mais famoso deles, Lance Armstrong. Era o fim, a luta seria oficialmente cancelada. As horas que se seguiram na noite anterior à luta foram de perplexidade pelos fãs e apreensão por parte de Daniel Cormier, seu adversário. Novitzky, informou primeiramente Dana White sobre o notícia e em seguida Malki Kawa, empresário do atleta.

Simulando grandeza, Jones reuniu a imprensa, juntamente com sua advogada e empresário, anunciou ter sido flagrado em um exame antidoping coletado pela USADA mas não poderia revelar qual seria a substância pois a investigação e contra-prova estavam em andamento. Dias depois foi revelado no programa semanal do comentárista Joe Rogan, que duas substâncias proibidas foram encontradas, dois bloqueadores de estrogênio, que são basicamente hormônios femininos. Esses bloqueadores de estrogênio não são, por si só, drogas de aumento de performance, mas são comumente usados como “terapia pós-ciclo”. Isto é, após o uso de esteroides ou de outros agentes anabólicos. Visivelmente abatido e com voz embargada Jones parecia realmente triste, mas talvez por outros motivos. Ao perder a luta Jones também ficou sem sua milionária bolsa para a luta, não receberia nem um centavo se quer, seria o maior pagamento de um atleta na história do Ultimate, esse recorde ficou para Brock Lesnar, que recebeu cerca de $2.5 milhões de dólares na noite de sábado, algo em torno de R$8.26 milhões de Reais. Em entrevista ao jornalista Ariel Helwani, o empresário de Jones, Malki Kawa revelou que o atleta perdera uma bolsa de oito dígitos! Valor que equivale ao dobro de tudo que ganhou ao longo de oito anos de carreira no Ultimate. “Estamos falando de um pagamento de oito dígitos. O Conor McGregor pode falar o que quiser, mas o Jon é, de longe, o cara mais bem pago no UFC” revelou Malki. Realmente é de se chorar.

A separação entre a vida pessoal e profissional dizem os especialistas, é utópica. Justamente por isso, há pessoas que, ao obter sucesso na carreira, se reveste daquele personagem no dia-a-dia, no convívio com a família e os amigos e como consequência, se transformam em alguém irreconhecível. Esse é o caso de Jon Jones, que no octógono é um ser quase imbatível e fora dele age como se tivesse super poderes e pudesse fazer o que bem entender. Ao contrário do que pensa ou faz parecer, Jones não tinha e não tem superpoderes. Hoje é apenas um excelente lutador que caiu em desgraça, alguém que o sucesso para ter transformado.

No evento de hoje, Jon Jones espera encerrar de uma vez por todas o capítulo de Cormier de sua história. Bom para os fãs, que verão sem sombra de dúvida uma das maiores lutas do ano do UFC!

ABAIXO ALGUNS MOMENTOS CONTROVERSOS DA AINDA CURTA CARREIRA DE JON JONES

Jones, não é apenas o campeão invicto dos meio-pesados, ele também o campeão dos golpes baixos no Ultimate. Em sua estréia num card principal foi punido com um ‘No-Contest’ após desferir cotoveladas ilegais em Matt Hammil. Pisão no joelho e dedo no olho também fazem parte do arsenal do lutador e por muitas vezes parece ser aplicado de forma proposital em seus adversários.

Em maio de 2012, Jones bateu sua Bentley Continental GT em um poste, em Binghamton, Nova Iorque. Preso na mesma hora por dirigir sob a influência de álcool, foi solto da prisão após sua mãe pagar fiança de $1.000 dólares. Como punição teve sua carteira de motorista suspensa por seis meses e teve um bloqueador de velocidade instalado em todos seus veículos. Ironicamente, no mesmo ano Jones deu um treinamento na policia local com o mesmo ‘sheriff’ que o prendeu.

Pela primeira vez na história um evento inteiro foi cancelado devido Jones recusar a enfrentar Chael Sonnen, numa substituição feita oito dias antes do evento. Dan Henderson seria o adversário de Jones, mas sofreu uma lesão, levando o Ultimate oferecer a substituição por Chael Sonnen, após a recusa do campeão Dana decidiu cancelar o card inteiro, algo inédito até hoje. A luta só ocorreu no ano seguinte.

Em sua preparação para luta contra o brasileiro Glover Teixeira, Jones foi acusado por um fã Sueco de insultos homofóbicos no Instagram; após ser provocado, Jones retalhou postando xingamentos em diversas das fotos pessoais do suposto fã. Para deixar a situação mais bizarra e constrangedora Jones comunica no Twitter que seu celular foi roubado e consequentemente teve sua conta foi hackeada.

Durante um evento promocional do UFC 178, em Las Vegas, Jon Jones e Daniel Cormier protagonizaram uma das cenas mais inusitadas já vistas. Na tão aguardada encarada entre os dois Jones encosta a testa em Cormier que o empurra, a partir daí se inicia uma briga generalizada. O incidente teve consequências irreparáveis para Jones, que teve seu contrato com a Nike cancelado.

Em Janeiro de 2015 a primeira bomba, Jones, foi pego em um exame antidoping surpresa realizado pela Comissão
Atlética de Nevada (NSAC), a substância encontrada foi benzoilecgonina, principal metabólico da cocaína. Imediatamente ao anuncio do doping Jones anunciava que daria entrada em um Centro de Reabilitação para Usuários de Drogas. Tão chocante quanto a notícia foi a descoberta que o lutador passou apenas uma noite na reabilitação e voltou para casa.

Em abril do mesmo ano, o lutador se envolveu em um acidente de carro na cidade de Albuquerque, nos Estado norte-americano do Novo México. Na ocasião, o carro do atleta colidiu no veículo de uma mulher grávida. Ele fugiu sem prestar socorro e foi detido dias depois. Por esse motivo, “Bones” perdeu o título do UFC e foi suspenso pela organização, sendo condenado a prestar serviços comunitários sob liberdade condicional. E novamente perdeu mais um contrato milionário, desta vez da Rebook. Para piorar a situação – se é que isso é possível, pouco tempo depois foi detido novamente, dessa vez por ter disputado racha com seu veículo.

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