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A origem do octógono


É quase uma tradição no começo de toda semana que antecede um UFC, Dana White decreta em suas redes sociais “Fiiiiiight weeeeeek!!!!” assim mesmo com muitas letras e as vezes em letras maiúsculas, como se fosse uma criança, mal contendo sua empolgação. No mesmo dia staffs e contratados do UFC se deslocam de várias partes do Mundo para organizar o cenário do espetáculo. Com poucos dias o octógono está devidamente montado e pronto para receber os gladiadores do novo milênio — parafraseando Galvão Bueno. Após o evento tão rápido quanto é montado ele é desmontado. Poucos minutos após a vitória de Ryan Bader sobre Minotouro, em São Paulo, funcionários corriam por todos os lados desmontando e guardando tudo, o processo varou a madrugada. Na semana seguinte o UFC iria para Melbourne, Australia, do outro lado do globo.

Medindo 32 metros de diâmetro, 6 de altura e 750 metros quadrados, o octógono foi criado com a segurança dos lutadores em mente. Bom, pelo menos é isso que se diz oficialmente, mas a verdadeira história de como surgiu esse cenário de batalhas épicas é inconclusivo. Tão rápido quanto ele é montado nas arenas do Mundo ele foi criado, saindo do papel semanas antes do UFC 1 em 1993.

6-1Sobre o local das lutas, Rorion tinha sua opinião definida. Por muitas vezes ele me disse que não se importava o que usássemos, contanto que não seja um ringue de boxe. Rorion já tinha lutado em um, e já havia visto eles serem usados em eventos de vale-tudo no Brasil, incluindo um com seu pai e irmão Rickson. Na opinião de Rorion, eles não funcionavam quando havia uma luta agarrada. Rorion sabia que em um ringue de boxe um lutador de chão poderia escorregar pelas laterais buscando uma saída, ou se segurando nas acordas para evitar uma queda. Fazia muito sentido. Queriamos uma luta intensa, não amarração.” relembra Art Davie, co-fundador do UFC. Até mesmo estudantes da famosa Grace Academy, compartilhavam suas ideias sobre o cenário ideal: “Rorion e eu trocávamos algumas ideias em sua academia e então um de seus estudantes propôs algo chamado ‘o Cage da Morte`. O cara me deu suas anotações e um esboço. Vendo no papel eu até gosto mais do Cage da Morte. Mas isso iria requerer muita precisão, coordenação e engenharia, o que não poderíamos ter.” diz Art.

O único consenso de todos, na criação do octógono é que, de fato, o diretor de Arte: Jason Cusson fabricou o cenário. Cusson diz que sua inspiração para o Octógono foi o filme homônimo de Chuck Norris. “Harrison — Greg Harrison, designer — e eu trabalhamos juntos (…) e eu disse ‘Que tal octógono? Tem esse filme do Chuck Norris, de artes marciais saindo…’ foi simples assim. Greg foi quem projetou mas a ideia veio de mim.” se vangloria Cusson.

Art Davie, influenciado pelo cineasta John Milius (conhecido pelo filme Conan, o Bárbaro), tinha uma imaginação mais fértil ou apenas enxergava o que viria a ser o octógono como algo cinematográfico, algo nunca antes visto. Uma de suas ideas que chegaram a ir para um esboço foi um tatame circular que seria cercado por painéis eletrificados que dariam um leve choque, segundo Art isso faria o lutador a desistir da ideia de fugir da luta. Sua outra ideia — não menos bizarra, era um tatame cercado por um fosso cheio de água, com tubarões ou piranhas. Novamente um incentivo para ambos os lutadores.

8-1Em 1993, cartazes que circulavam em revistas e até academias diziam que os lutadores competiriam em tablado projetado pelo famoso diretor John Milius. Para o produtor da SEG (pioneira de eventos PPV e parceira do UFC) Michael Pillot, Art consultou Milius, mas suas ideias eram inviáveis. Em seu lado da história — e o mais aceito — Pilot, diz que semanas antes do evento ele se encontrou com Greg Harrison em um evento de premiação da MTV (os dois haviam trabalhado juntos com Will Smith) e confiou a ele o projeto. “O principal problema que eu encontrei foi criar algo que seja bom para todas as artes marciais e para a TV. Precisava além de conter os lutadores, protejer os operadores de câmera. Pillot me disse que teria diferentes tipos de atletas, incluíndo lutadores de Sumo. Então fiz uma dezena de designes. É interessante que todas as pessoas que dizem ter concebido o Octógono não são designers, mesmo assim dizem ter criado o design octogonal.” revela Harrison.

Finalizado e aprovado o design pela SEG, o projeto foi levado a Cusson, que teve a tarefa de fabricá-lo. Ele terminou em duas semanas usando tábuas de madeira para estrutura. “Nós tinham um grande galpão no centro de Los Angeles, nos montamos e desmontamos tudo em partes para que fosse mais fácil juntá-lo novamente.” diz Cusson. O tablado era todo branco e foi pintado por um artista freelancer. Tudo isso foi levado à Denver no Colorado para ser examinado por Pillot e a SEG.

Assim, o primeiro cage no formato octagonal foi construído e montado na Arena McNichols Sports em Novembro de 1993 para o histórico UFC 1. “O local onde seria o combate, foi desempacotado e em seguida montado no chão da arena naquela mesma manhã. Os ajustes ainda estavam sendo feitos e quando eu o vi pela primeira vez, fiquei realmente sem palavras. Tão bom quanto o esboço feito por Harrison, eu senti que essa incrível combinação de arte e engenharia foi ainda mais impressionante ao vivo. Um octagonal de nove metros envolto por estofamento cinza, a tela-metálica coberta de plástico preto, a lona branca com nosso proeminente logo ao centro — tudo combinando para alcançar um equilíbrio entre o primitivo e futurista.” conta Art Davie.

Independente de quem foi o responsável pela criação do octógono, ele foi patenteado em 1997 pelo UFC, revolucionou o Mundo das Artes Marciais; os ângulos evitam que os lutadores fiquem presos em um canto sem saída. No Octógono nenhuma disciplina das artes marciais tem vantagem. E o espectador tem visão perfeita seja assistindo numa arena ou pela televisão.

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Jones slams referee after annoucement


This article was originally published in portuguese during the UFC 200 week.

“I prefer any other referee than him.” It was like this who Jones “Bones” Jones reacted to the choice of John McCarthy as referee in his fight against Daniel Cormier for the unification of the Light Heavyweight belt in the UFC 200. Know by fans as “Big John”, McCarthy has a exceptional career, and was one of the responsible for unifying the rules of the sport and continues to referee since the first Ultimate Fighting. If Jones does his homework he should have a problem with the referee but if the fight goes to the final-round hear we could have a good problem. If anything should make John more afraid than Big John it is the judge’s table Sal D’Amato!

That said, Bob Bennett spoke on this site MMAnia. “This morning (July 28th) at 8:18 I received an e-mail from Mr. Kawa of the Jones ´camp, expressing their concern about John McCarthy being referee of the fight. Surely I analyze his worries about the referee and respected the comments he made but I don´t think it is significant enough to change my recommendation”, said the Executive Director of the Athletic Commission of Nevada, responsible for the rules of the game.
In social networks Jones didn´t present his real arguments, only saying that something bad could happen. “It´s a mixture of many things over the years. The energy [for example], I feel that we don’t have a good energy. Some things have accumulated which happened during some fights and personal interactions. I simply feel he doesn´t need anything more against me, I´m already facing a great fighter like DC” explains Jones. In fact Jones don´t should be worried with John MacCarthy. In his career as referee few big mistakes were made and in the fights that Big John participated he was successful in all of them: against Lyoto Machida (in UFC 140), Victor Belfort (UFC 152) and Alexander Gustafsson (UFC 165).

One factor should be seen with a lot of attention, the choice of the three table referees – who marked the points and judge the results of the fight in case there is no definition: Derek Cleary, Glenn Trowbridge e Sal D’Amato. This last name is not strange for any attentive fan. Sal D´Amato was involved in many controversial fights over the last few years, you only need to google his name to see history of then. All make possible for the spectator mistrust the decisions made by these table-referees figures so obscure that is difficult to find any type of information about this on the internet. It´s seens that some don´t even exist. Even though they stay in strategic positions around the octagon, we can hardly see their faces.

Sal D´Amato is one of the must selected referees to judge the fights, having worked in Ultimate Fighter events in all over the world, including Brazil. In 2013 in all of the fights he worked which went to the last round, about 12.5% were considered controversial. To be more specific look at the case of some of this fights in all his decisions influenced the winner were at least controversial.

In 2015 the fight named “Robbery of the Year” by the site Sherdog.com: Bedel Dariush vs. Michael Johnson in UFC Fight Night had D´Amato as responsible for the final decision. “I already knew that this would happen. I was in the cage and looked at Bruce Buffer and Herb Dean and they were reading the cards and their expressions spoke for than selves. Everybody knew that a won that fight. I saw their faces. I think Bruce Buffer looked confused reading the card, he had to check again with the judges. I don’t know if they heard me when I said: Wow, they gave him the slip decision?!” said Johnson to the MMAJunkie.com.

Decisions like this are not rare ad because of this Dana White always says: don’t leave the decision in the hands of the judges. The phrase is so famous that you can see this on the doors of the changing rooms of the TUF (The Ultimate Fighter). The controversy about the mistakes of the referees cause debates in many sports, subjects for the media and even jokes with friends. This is all normal, it´s part of being human, we are all susceptible to mistakes. Now that many sports have started to use more technology to help not to make so many mistakes, the table-referees of UFC and MMA event should have cameras at all possible angles for a good decision. But the rules to choose the referees should be make as clear as possible so there won´t be any doubt about the legitimacy of the sport. Posluta.com tried to contact Bob Bennett, director of Nevada Athletic Commission, but his secretary inform us that the Mr. Bennett was out of this office for one week.

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Jon Jones, autodestruição de uma lenda.


Insidiosa, sombria e escura, a sombra da desonra começa a deitar-se novamente sobre Jon ‘Bones’ Jones. Campeão dos meio-pesados mais jovem da história, Jones já venceu cinco ex-campeões da categoria, considerado por muitos o maior de todos na atualidade não apenas no UFC mas no MMA em geral. No entanto, a nova denúncia de doping pode colocar tudo isso a perder. Dono de um extenso prontuário de escândalos capaz de causar inveja até mesmo ao ex-jogador Adriano! Por ser recorrente o atleta pode pegar uma punição de até dois anos pela Comissão Atlética de Nevada (punição semelhante a de Chael Sonnen, num caso parecido). Não há pessoa nenhuma capaz de salvar Jones de sua própria biografia.

No fim de semana que antecedeu o histórico UFC 200 tudo estava indo bem, a revanche tão aguardada entre Jones e Cormier de fato aconteceria. Menos de 72h antes do dia da luta o USADA, agência antidoping americana, informa ao Ultimate através de Jeff Novitzky, vice-presidente de Saúde e Performance do UFC, que uma substância proibida foi encontrada em amostras do lutador. Novitzky investiga o uso de esteroides nos esportes há anos pelo Serviço de Receita Interna do governo federal dos EUA, e é agente especial da Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês) desde 2008. Ele teve papel decisivo em algumas das investigações que desmascararam esquemas de doping envolvendo alguns dos maiores nomes do esporte mundial, como Marion Jones, Tim Montgomery, Justin Gatlin e o mais famoso deles, Lance Armstrong. Era o fim, a luta seria oficialmente cancelada. As horas que se seguiram na noite de quinta-feira foram de perplexidade pelos fãs e apreensão por parte de Daniel Cormier, seu adversário. Novitzky, informou primeiramente Dana White sobre o notícia e em seguida Malki Kawa, empresário do atleta.

Simulando grandeza, Jones reuniu a imprensa, juntamente com sua advogada e empresário, anunciou ter sido flagrado em um exame antidoping coletado pela USADA mas não poderia revelar qual seria a substância pois a investigação e contra-prova estavam em andamento. Dias depois foi revelado no programa semanal do comentárista Joe Rogan, que duas substâncias proibidas foram encontradas, dois bloqueadores de estrogênio, que são basicamente hormônios femininos. Esses bloqueadores de estrogênio não são, por si só, drogas de aumento de performance, mas são comumente usados como “terapia pós-ciclo”. Isto é, após o uso de esteroides ou de outros agentes anabólicos. Visivelmente abatido e com voz embargada Jones parecia realmente triste, mas talvez por outros motivos. Ao perder a luta Jones também ficou sem sua milionária bolsa para a luta, não receberia nem um centavo se quer, seria o maior pagamento de um atleta na história do Ultimate, esse recorde ficou para Brock Lesnar, que recebeu cerca de $2.5 milhões de dólares na noite de sábado, algo em torno de R$8.26 milhões de Reais. Em entrevista ao jornalista Ariel Helwani, o empresário de Jones, Malki Kawa revelou que o atleta perdera uma bolsa de oito dígitos! Valor que equivale ao dobro de tudo que ganhou ao longo de oito anos de carreira no Ultimate. “Estamos falando de um pagamento de oito dígitos. O Conor McGregor pode falar o que quiser, mas o Jon é, de longe, o cara mais bem pago no UFC” revelou Malki. Realmente é de se chorar.

A separação entre a vida pessoal e profissional dizem os especialistas, é utópica. Justamente por isso, há pessoas que, ao obter sucesso na carreira, se reveste daquele personagem no dia-a-dia, no convívio com a família e os amigos e como consequência, se transformam em alguém irreconhecível. Esse é o caso de Jon Jones, que no octógono é um ser quase imbatível e fora dele age como se tivesse super poderes e pudesse fazer o que bem entender. Ao contrário do que pensa ou faz parecer, Jones não tinha e não tem superpoderes. Hoje é apenas um excelente lutador que caiu em desgraça, alguém que o sucesso para ter transformado.

ABAIXO O TOP 8 DOS MAIORES ESCÂNDALOS DE JON JONES.

  • Jones, não é apenas o campeão invicto dos meio-pesados, ele também o campeão dos golpes baixos no Ultimate. Em sua estréia num card principal foi punido com um ‘No-Contest’ após desferir cotoveladas ilegais em Matt Hammil. Pisão no joelho e dedo no olho também fazem parte do arsenal do lutador e por muitas vezes parece ser aplicado de forma proposital em seus adversários.
  • Em maio de 2012, Jones bateu sua Bentley Continental GT em um poste, em Binghamton, Nova Iorque. Preso na mesma hora por dirigir sob a influência de álcool, foi solto da prisão após sua mãe pagar fiança de $1.000 dólares. Como punição teve sua carteira de motorista suspensa por seis meses e teve um bloqueador de velocidade instalado em todos seus veículos. Ironicamente, no mesmo ano Jones deu um treinamento na policia local com o mesmo ‘sheriff’ que o prendeu.
  • Pela primeira vez na história um evento inteiro foi cancelado devido Jones recusar a enfrentar Chael Sonnen, numa substituição feita oito dias antes do evento. Dan Henderson seria o adversário de Jones, mas sofreu uma lesão, levando o Ultimate oferecer a substituição por Chael Sonnen, após a recusa do campeão Dana decidiu cancelar o card inteiro, algo inédito até hoje. A luta só ocorreu no ano seguinte.
  • Em sua preparação para luta contra o brasileiro Glover Teixeira, Jones foi acusado por um fã Sueco de insultos homofóbicos no Instagram; após ser provocado, Jones retalhou postando xingamentos em diversas das fotos pessoais do suposto fã. Para deixar a situação mais bizarra e constrangedora Jones comunica no Twitter que seu celular foi roubado e consequentemente teve sua conta foi hackeada.
  • Durante um evento promocional do UFC 178, em Las Vegas, Jon Jones e Daniel Cormier protagonizaram uma das cenas mais inusitadas já vistas. Na tão aguardada encarada entre os dois Jones encosta a testa em Cormier que o empurra, a partir daí se inicia uma briga generalizada. O incidente teve consequências irreparáveis para Jones, que teve seu contrato com a Nike cancelado.
  • Em Janeiro de 2015 a primeira bomba, Jones, foi pego em um exame antidoping surpresa realizado pela Comissão Atlética de Nevada (NSAC), a substância encontrada foi benzoilecgonina, principal metabólico da cocaína. Imediatamente ao anuncio do doping Jones anunciava que daria entrada em um Centro de Reabilitação para Usuários de Drogas. Tão chocante quanto a notícia foi a descoberta que o lutador passou apenas uma noite na reabilitação e voltou para casa.
  • Em abril do mesmo ano, o lutador se envolveu em um acidente de carro na cidade de Albuquerque, nos Estado norte-americano do Novo México. Na ocasião, o carro do atleta colidiu no veículo de uma mulher grávida. Ele fugiu sem prestar socorro e foi detido dias depois. Por esse motivo, “Bones” perdeu o título do UFC e foi suspenso pela organização, sendo condenado a prestar serviços comunitários sob liberdade condicional. E novamente perdeu mais um contrato milionário, desta vez da Rebook. Para piorar a situação – se é que isso é possível, pouco tempo depois foi detido novamente, dessa vez por ter disputado racha com seu veículo.

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Debates e Opiniões: TUF 23 Finale


Por que Gadelha vencerá?

Por: Flavio Doria

Se eu fosse apostar meu dinheiro em um dos três candidatos a voltar para casa com o cinturão, apostaria em Gadelha, mas quando o assunto é MMA tudo pode acontecer. Assim como o Brasil não é mais considerado o melhor do Mundo no futebol, no MMA também não estamos botando tanto medo, paradoxalmente, temos bons lutadores cotados ao cinturão neste final de semana e quem sabe mudar essa história. Claudia Gadelha, se tornará nessa sexta-feira a primeira lutadora brasileira a por as mãos no cinturão do UFC, por pontos, após cinco duros rounds contra Joanna, essa é minha aposta. Tentando derrubar sempre e trabalhando seu excelente BJJ essa é a receita para vitória. Joanna Jędrzejczyk é uma excelente striker e tem como arma principal o Muay-thai, campeã Mundial seis vezes e quatro vezes campeã Européia na modalidade.

As duas se enfrentaram pela primeira vez em Dezembro de 2014 no UFC em Melbourne, Australia. Numa partida dura, após cinco rounds muito equilibrados, o veredito final foi a favor de Joanna, por slip decision (decisão dividida). No final do terceiro round, após o apito final Gadelha desferiu um soco em Joanna.A rivalidade entre as duas só ficou mais tensa a partir de então.

No começo do ano as duas foram escolhidas para protagonizar a edição atual do The Ultimate Fighter, e as provocações e troca de farpas só só se intensificaram. Em 2014 Claudia obviamente venceu a luta, mas perdeu para os árbitros. Dessa vez ela tem a chance mais uma vez de acabar com invencibilidade de Joanna e se tornar campeã dos pesos-palha feminino do UFC.

Gadelha tem um cartel de 13 vitórias e 1 derrota e venceu 46% de suas lutas por finalização, vem de vitória sobre Jessica Aguilar… No chão Gadelha tem enorme vantagem, derruba suas adversárias com enorme facilidade devido sua força aliada com explosão muscular, mas novamente, se tentar levar a luta para trocação franca terá sérios problemas.

Por quê Joanna Jędrzejczyk manterá seu cinturão!

Por: Silvio Doria

Seis vezes campeã mundial de Muay-Thai, quatro vezes campeã europeia. Poucas lutadoras chegaram ao MMA feminino com um currículo tão vasto de vitórias e títulos como Joanna Jędrzejczyk (leia-se Yoh-AN-nah Yend-JEY-chick). Não é apenas seu background em Muay-Thai que impressiona, seu cartel no MMA é igualmente impressionante. Joanna subiu 11 vezes no cage e jamais perdeu.

Quando sair do octógono no proximo dia 8, no The Ultimate Fighter 23 – Finale (Team Joanna vs. Claudia), Joanna estará fazendo sua 12ª luta e sua 12ª vitória consecutiva. Será a terceira defesa de cinturão bem sucedida. A vitória não será fácil, eu tenho certeza disso. Joanna e Claudia já se enfrentaram antes. A luta ocorrem em 2014, no UFC on Fox: dos Santos vs. Miocic. Após três rounds apertados, Joanna teve sua mão erguida e saiu vitoriosa. A luta foi tão disputada e parelha que até hoje ela ainda tem que responder questionamentos sobre o embate. Claudia foi a sua vitória mais difícil, de longe. Foi e ainda é a oponente mais perigosa que Joanna pode enfrentar.

A única forma de Joanna sair derrotada do cage pode acontecer se a luta for para o chão, onde a polonesa tem muito pouca experiência. Joanna nunca foi testada no chão. Vejo ela como Holy Holm: em pé é fora do comum, mas no chão é uma lutadora mediana. E, de fato, quando Miesha Tate, espertamente, levou a luta para o chão foi quando ela teve vantagem na luta contra Holm. Rousey deve se arrepender de ter tentado trocar com Holm. Vejo o mesmo na luta do card principal do TUF 23 Finale. Claudia Gadelha é faixa preta em jiu-jitsu, é uma representante legítima da arte-suave. De suas sete primeiras lutas no MMA, e todas no Brasil, seis ocorreram por finalização. Desde que estreou no MMA internacional, em 2012, no evento Wreck MMA: Road to Glory, não vimos mais Claudia por a prova seu jiu-jitsu. Sua luta em pé é realmente boa, poucas lutadoras tem um jogo em pé tão bom na categoria Peso Palha Feminino. Joanna, no entanto, apresenta uma trocação ainda melhor que a de Claudia. Seu estilo de luta é bastante agressivo, reflexo do seu background no Muay-Thai. Basta ver suas últimas lutas. Ela consegue vencer suas oponentes de forma contundente e brutal. Chega a impressionar o estado em que suas rivais ficam ao final de suas lutas. Se Claudia for inteligente ela levará a luta para o chão onde ela tem vantagem, do contrário pode ter o mesmo destino de tantas outras que decidiram trocar com Joanna.

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Especial UFC 200: Making History, again! Do 100 ao 200 o que mudou?


Daqui exatos 15 dias deverá ocorrer o maior evento da história do Ultimate Fighting Championship (UFC). Recordes serão quebrados, queixos serão postos a prova, cinturões serão perdidos (ou não), uma antiga estrela voltará ao cage. O mundo das artes-marciais estará de olho neste evento. Muito provavelmente este será o evento com a maior venda de pay-per-views da história. Isso por quê para esta edição especial, a organização do evento reuniu suas maiores estrelas e rivalidades, nunca na história do MMA tantos nomes de peso foram reunidos em um só evento. A última vez que isso ocorreu foi há 8 anos atrás. O evento era o “UFC 100: Making History”. Este era considerado, na época, o maior evento de todos os tempos promovido pelo UFC. Ainda que o card não tenha sido tão espetacular como o que ocorrerá nos próximos dias, o UFC 100 escreveu a sua página na história do MMA. Abaixo destacamos alguns desses momentos.

Brock Lesnar vs. Frank Mir: Brock Lesnar, detentor do cinturão da categoria heavy-weight (Peso-pesado), faria a luta da noite contra o também detentor do cinturão – interino, Frank Mir. A luta era histórica. Brock, o Gorila Albino, vinha de duas vitórias contundentes contra Heath Hearing e Randy Couture, então detentor do cinturão da categoria. Brock só possuía uma derrota em seu cartel de MMA e havia sido para o próprio Frank Mir em sua estreia no evento. A luta foi polêmica. Steve Mazzagatti, arbitro da luta, descontou um ponto de Brock por este ter desferido socos na parte de trás da cabeça de Mir, algo que é proibido pelas regras do evento. Brock que havia discordado da falta passou a fazer duras críticas publicamente contra o arbitro após a luta. O combate teve um desfecho ainda no começo do primeiro round, quando Mir encaixou uma chave de joelho, levando Lesnar à finalização. Um ano depois, o clima da revanche era tenso. Ambos os lutadores trocavam provocações. O trash-talk partia sobretudo de Mir e sua equipe. “Além de finalizá-lo, vou quebrar alguns ossos dele” brincava Mir antes da luta. Se arrependimento matasse… Frank Mir foi brutalmente derrotado nesta luta histórica. Após vencer a luta, Brock extravasou toda sua fúria contra Mir e a torcida. “Can you see me now!!!” esbravejava o Gorila Albino para as câmeras em uma cena que certamente ficará registrada na história do evento. Sobrou até para a torcida, que teve que ver alguns gestos obscenos de Brock. Naquele momento Brock Lesnar fez toda a categoria dos pesados temer por dividir o cage com ele.

George St. Pierre vs. Thiago Alves: um ponto de inflexão na carreira do Pitt-bull: GSP, juntamente com Brock Lesnar eram as duas maiores estrelas do evento (leia-se maiores vendedores de pay-per-view), defenderia o cinturão contra o brasileiro Thiago Alves. Como de praxe, by the book, GSP levou a luta para o último round. Os juízes deram vitória unânime para GSP, que manteve o cinturão. Aquele foi um breaking point na carreira de Thiago “Pit-Bull” Alves. Até aquela luta o brasileiro acumulava uma série de sete vitórias consecutivas, entre os derrotados estavam nomes como Karo Parisyan, Matt Hughes e Josh Koscheck. Desde o revés para GSP, Thiago Alves ainda busca uma regularidade no seu cartel. Após o evento foram 4 vitórias e 4 derrotas. GSP defenderia o cinturão por mais 6 vezes após aquela noite, consagrando uma das maiores sequências de defesa com sucesso de cinturão na história do evento. Sua última luta foi em 2013, contra Johny Hendricks. Após a luta vitória controversa o canadense anunciou sua aposentadoria.

Dan Henderson vs. Michael Bisping: A Guerra da Independência ocorre mais uma vez: O UFC 100 foi palco ainda da disputa entre os treinadores da nona edição do The Ultimate Fighter (TUF). O Reality show pôs a prova a velha rivalidade entre britânicos e norte-americanos. Dan Henderson, representando o time americano e, Michael Bisping, o time inglês. Após um primeiro round bastante emocionante, Dan Henderson aplicou um direto no queixo de Bisping que caiu inconsciente. Logo em sequência, Bisping pulou um cima de Bisping com mais um “Foi apenas para calar a boca dele um pouquinho” disse Henderson após o combate. Havia não só uma rixa entre os dois, alimentada sobretudo por Bisping durante as filmagens do TUF 9, como também havia um clima de animosidade entre os dois países. As disputas entre Estados Unidos e Inglaterra no esporte sempre foram encaradas como uma forma de afirmação social. E a uma razão histórica para isso. As colônias britânicas na América, após anos de combate com seus colonizadores conquistaram a independência em 1776, dando origem aos Estados Unidos da América. O knock-out de Henderson foi espetacular e rendeu não só o bônus pelo Knockout of the Night, mas também o Knockout of the Year, além de muitos memes memoráveis para alegria dos fãs.

Curioso o fato de que hoje, passados oiti anos, muito se especulou de uma revanche entre Bisping e Henderson nesta edição do UFC 200. Muita coisa mudou desde aquela fatídica luta. Hoje Bisping é o detentor do cinturão da categoria middleweight, um feito comemorado até pelos próprios americanos. Foi a coroação de uma carreira dedicada ao esporte e por uma busca incansável por uma chance de disputar o cinturão. Henderson por outro lado saiu do evento, obteve o cinturão na categoria light heavyweight do Strikeforce, voltou para o UFC e colecionou novamente lutas memoráveis. Poucos lutadores alcançaram um cartel tão espetacular e longevo. Hoje Henderson já fala em aposentadoria. Provavelmente fará a sua última luta muito em breve, está à procura apenas de mais um adversário. Especulações indicam que será o próprio Bisping.

O evento também marcou a ascensão de sua maior estrela, Jon “Bones” Jones, que fez sua terceira luta como lutador de MMA contra o também norte-americano Jake O’Brien. A vitória, por meio de uma guilhotina invertida, já era uma mostra da versatilidade de Jon Jones. No UFC 200 ele retorna ao card agora como a maior estrela da organização, um verdadeiro mito. Dois anos após o UFC 100, Jones seria consagrado como o campeão mais jovem do evento. Hoje, 5 anos após o feito, Jon ainda detêm o cinturão da categoria Light Heavyweight. No UFC 200 ele defenderá seu título mais uma vez, agora contra Daniel Cormier, detentor do cinturão interino da categoria.

Vendo em retrospecto, muita coisa aconteceu entre o UFC 100 e 200. Alguns lutadores presentes no under card alcançaram a glória no evento e hoje disputam o topo de suas categorias. Outros se aposentaram, muitos migraram para outros eventos. A própria organização do evento evoluiu muito desde então. Eventos irmãos como o WEC (uma organização de pesos inferiores a 70kg) e o Strikeforce foram incorporados ao UFC, trazendo um plantel ainda maior de lutadores de sucesso. Os ingredientes para um bom card já estão prontos, falta apenas o ponto final nessa história.

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