Especial UFC 200: Making History, again! Do 100 ao 200 o que mudou?


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Daqui exatos 15 dias deverá ocorrer o maior evento da história do Ultimate Fighting Championship (UFC). Recordes serão quebrados, queixos serão postos a prova, cinturões serão perdidos (ou não), uma antiga estrela voltará ao cage. O mundo das artes-marciais estará de olho neste evento. Muito provavelmente este será o evento com a maior venda de pay-per-views da história. Isso por quê para esta edição especial, a organização do evento reuniu suas maiores estrelas e rivalidades, nunca na história do MMA tantos nomes de peso foram reunidos em um só evento. A última vez que isso ocorreu foi há 8 anos atrás. O evento era o “UFC 100: Making History”. Este era considerado, na época, o maior evento de todos os tempos promovido pelo UFC. Ainda que o card não tenha sido tão espetacular como o que ocorrerá nos próximos dias, o UFC 100 escreveu a sua página na história do MMA. Abaixo destacamos alguns desses momentos.

Brock Lesnar vs. Frank Mir: Brock Lesnar, detentor do cinturão da categoria heavy-weight (Peso-pesado), faria a luta da noite contra o também detentor do cinturão – interino, Frank Mir. A luta era histórica. Brock, o Gorila Albino, vinha de duas vitórias contundentes contra Heath Hearing e Randy Couture, então detentor do cinturão da categoria. Brock só possuía uma derrota em seu cartel de MMA e havia sido para o próprio Frank Mir em sua estreia no evento. A luta foi polêmica. Steve Mazzagatti, arbitro da luta, descontou um ponto de Brock por este ter desferido socos na parte de trás da cabeça de Mir, algo que é proibido pelas regras do evento. Brock que havia discordado da falta passou a fazer duras críticas publicamente contra o arbitro após a luta. O combate teve um desfecho ainda no começo do primeiro round, quando Mir encaixou uma chave de joelho, levando Lesnar à finalização. Um ano depois, o clima da revanche era tenso. Ambos os lutadores trocavam provocações. O trash-talk partia sobretudo de Mir e sua equipe. “Além de finalizá-lo, vou quebrar alguns ossos dele” brincava Mir antes da luta. Se arrependimento matasse… Frank Mir foi brutalmente derrotado nesta luta histórica. Após vencer a luta, Brock extravasou toda sua fúria contra Mir e a torcida. “Can you see me now!!!” esbravejava o Gorila Albino para as câmeras em uma cena que certamente ficará registrada na história do evento. Sobrou até para a torcida, que teve que ver alguns gestos obscenos de Brock. Naquele momento Brock Lesnar fez toda a categoria dos pesados temer por dividir o cage com ele.

George St. Pierre vs. Thiago Alves: um ponto de inflexão na carreira do Pitt-bull: GSP, juntamente com Brock Lesnar eram as duas maiores estrelas do evento (leia-se maiores vendedores de pay-per-view), defenderia o cinturão contra o brasileiro Thiago Alves. Como de praxe, by the book, GSP levou a luta para o último round. Os juízes deram vitória unânime para GSP, que manteve o cinturão. Aquele foi um breaking point na carreira de Thiago “Pit-Bull” Alves. Até aquela luta o brasileiro acumulava uma série de sete vitórias consecutivas, entre os derrotados estavam nomes como Karo Parisyan, Matt Hughes e Josh Koscheck. Desde o revés para GSP, Thiago Alves ainda busca uma regularidade no seu cartel. Após o evento foram 4 vitórias e 4 derrotas. GSP defenderia o cinturão por mais 6 vezes após aquela noite, consagrando uma das maiores sequências de defesa com sucesso de cinturão na história do evento. Sua última luta foi em 2013, contra Johny Hendricks. Após a luta vitória controversa o canadense anunciou sua aposentadoria.

Dan Henderson vs. Michael Bisping: A Guerra da Independência ocorre mais uma vez: O UFC 100 foi palco ainda da disputa entre os treinadores da nona edição do The Ultimate Fighter (TUF). O Reality show pôs a prova a velha rivalidade entre britânicos e norte-americanos. Dan Henderson, representando o time americano e, Michael Bisping, o time inglês. Após um primeiro round bastante emocionante, Dan Henderson aplicou um direto no queixo de Bisping que caiu inconsciente. Logo em sequência, Bisping pulou um cima de Bisping com mais um “Foi apenas para calar a boca dele um pouquinho” disse Henderson após o combate. Havia não só uma rixa entre os dois, alimentada sobretudo por Bisping durante as filmagens do TUF 9, como também havia um clima de animosidade entre os dois países. As disputas entre Estados Unidos e Inglaterra no esporte sempre foram encaradas como uma forma de afirmação social. E a uma razão histórica para isso. As colônias britânicas na América, após anos de combate com seus colonizadores conquistaram a independência em 1776, dando origem aos Estados Unidos da América. O knock-out de Henderson foi espetacular e rendeu não só o bônus pelo Knockout of the Night, mas também o Knockout of the Year, além de muitos memes memoráveis para alegria dos fãs.

Curioso o fato de que hoje, passados oiti anos, muito se especulou de uma revanche entre Bisping e Henderson nesta edição do UFC 200. Muita coisa mudou desde aquela fatídica luta. Hoje Bisping é o detentor do cinturão da categoria middleweight, um feito comemorado até pelos próprios americanos. Foi a coroação de uma carreira dedicada ao esporte e por uma busca incansável por uma chance de disputar o cinturão. Henderson por outro lado saiu do evento, obteve o cinturão na categoria light heavyweight do Strikeforce, voltou para o UFC e colecionou novamente lutas memoráveis. Poucos lutadores alcançaram um cartel tão espetacular e longevo. Hoje Henderson já fala em aposentadoria. Provavelmente fará a sua última luta muito em breve, está à procura apenas de mais um adversário. Especulações indicam que será o próprio Bisping.

O evento também marcou a ascensão de sua maior estrela, Jon “Bones” Jones, que fez sua terceira luta como lutador de MMA contra o também norte-americano Jake O’Brien. A vitória, por meio de uma guilhotina invertida, já era uma mostra da versatilidade de Jon Jones. No UFC 200 ele retorna ao card agora como a maior estrela da organização, um verdadeiro mito. Dois anos após o UFC 100, Jones seria consagrado como o campeão mais jovem do evento. Hoje, 5 anos após o feito, Jon ainda detêm o cinturão da categoria Light Heavyweight. No UFC 200 ele defenderá seu título mais uma vez, agora contra Daniel Cormier, detentor do cinturão interino da categoria.

Vendo em retrospecto, muita coisa aconteceu entre o UFC 100 e 200. Alguns lutadores presentes no under card alcançaram a glória no evento e hoje disputam o topo de suas categorias. Outros se aposentaram, muitos migraram para outros eventos. A própria organização do evento evoluiu muito desde então. Eventos irmãos como o WEC (uma organização de pesos inferiores a 70kg) e o Strikeforce foram incorporados ao UFC, trazendo um plantel ainda maior de lutadores de sucesso. Os ingredientes para um bom card já estão prontos, falta apenas o ponto final nessa história.