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Glover domina Shogun e Rafaela Silva brilha: veja como foram todas as lutas do Spaten Fight Night 3

Na Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, Glover Teixeira bateu Maurício Shogun no duelo de lendas do boxe, Luan Medeiros faturou cinturão, Rafaela Silva venceu no judô e Felipe “Preguiça” superou Meregali no jiu-jitsu. Bia Souza foi a única brasileira derrotada, na revanche olímpica contra Raz Hershko.

silvio.doria8@gmail.com
Coluna · 30 ago 2026 · 10:03
Glover domina Shogun e Rafaela Silva brilha: veja como foram todas as lutas do Spaten Fight Night 3
Foto: PosLuta

Foi uma noite de gala e de festa brasileira no Pacaembu. Em sua terceira edição, sob o conceito “onde a força encontra a honra”, o Spaten Fight Night 3 lotou a Mercado Livre Arena Pacaembu, em São Paulo, neste sábado (29) e reuniu público de traje black tie para uma programação que misturou boxe, judô e jiu-jitsu numa mesma noite, com transmissão de Globo, Combate, Globoplay e ge. Foram cinco combates, e o placar da noite não poderia ser mais favorável à torcida da casa: em quatro deles, quem teve a mão levantada foi um brasileiro.

O projeto da cerveja premium da Ambev cresceu a cada ano. Nascido como um duelo pontual de nomes do MMA, o Spaten Fight Night chega à terceira edição transformado em espetáculo multiesportivo, com a estreia do jiu-jitsu e a consolidação do judô ao lado do boxe. No centro do card, um confronto que por anos existiu apenas no campo do desejo dos fãs: Maurício Shogun e Glover Teixeira, duas lendas do MMA brasileiro que nunca se cruzaram dentro do octógono, finalmente frente a frente — agora sob as regras do boxe.

E quem entende de escrever novos capítulos foi Glover. A seguir, veja como foi cada um dos cinco combates da noite.

Como foram os cinco combates do Spaten Fight Night 3

Glover Teixeira x Maurício Shogun (boxe) — vitória de Glover

Dois ex-campeões da divisão dos meio-pesados do UFC, ídolos de gerações do MMA nacional e nomes que ajudaram a construir a história do esporte no Brasil, Shogun e Glover levaram para o ringue de boxe uma rivalidade afetiva, daquelas que os fãs sempre quiseram ver e que nunca havia acontecido em luta oficial. O duelo foi disputado no super-pesado, em oito assaltos de dois minutos, e prometia emoção pelo peso dos nomes envolvidos.

Dentro do ringue, porém, houve mais domínio do que equilíbrio. Mais afiado, mais rápido de mãos e mais agressivo desde o gongo inicial, Glover Teixeira ditou o ritmo do começo ao fim e ainda derrubou o rival no segundo round. Ao término dos oito assaltos, os três jurados foram unânimes e não deixaram dúvida: 79-72, 79-72 e 80-71, todos para Glover. No córner, ele teve a companhia do campeão do UFC Alex “Poatan” Pereira, que o orientou durante toda a luta. “Com o Poatan ali, gera uma confiança muito grande. Ele entende muito, ficou me alertando o tempo todo”, disse Glover após a vitória. Guerreiro como sempre, Shogun encaixou o queixo, aguentou a pressão em pé e não foi nocauteado, mas saiu de mãos vazias no reencontro das duas lendas.

Luan Medeiros x Juan Cruz (boxe) — vitória de Luan e cinturão

Se o duelo das lendas era o apelo emocional, a co-luta principal colocou no ringue um dos nomes mais promissores do boxe brasileiro. Invicto como profissional, Luan Medeiros tinha diante de si o argentino Juan Cruz Unco, o “El Diablo”, em mais um capítulo da eterna rivalidade entre Brasil e Argentina — desta vez com o Cinturão Latino-Americano da categoria leve em jogo.

Do primeiro ao último assalto, foi um roteiro de controle brasileiro. Luan dominou os dez rounds, administrou a vantagem e venceu por decisão unânime, com placares folgados de 98-92, 98-92 e 99-91. Com o triunfo, manteve a invencibilidade e colocou mais um cinturão na estante, confirmando o bom momento e o status de destaque da modalidade no país.

Rafaela Silva x Prisca Awiti Alcaraz (judô) — vitória de Rafaela

O judô abriu a noite com um dos confrontos mais simbólicos do card. De um lado, Rafaela Silva, campeã olímpica no Rio-2016 e campeã mundial, um dos maiores nomes da história da modalidade no Brasil. Do outro, a mexicana Prisca Awiti Alcaraz, medalhista de prata em Paris-2024 e uma das grandes forças da categoria na atualidade. Um duelo entre medalhistas olímpicas, com dez anos de diferença separando seus pódios mais marcantes.

No tatame, Rafaela mostrou que segue em altíssimo nível. A brasileira soube esperar a hora certa, encaixou o golpe decisivo e marcou o waza-ari que definiu o combate a seu favor, arrancando a festa da torcida logo na abertura do judô.

Bia Souza x Raz Hershko (judô) — vitória de Hershko

O segundo duelo do judô era, na prática, uma final olímpica remontada. Em Paris-2024, Bia Souza conquistou o ouro justamente diante da israelense Raz Hershko, atual número 1 do mundo no peso-pesado. A revanche, portanto, tinha peso de acerto de contas entre as duas melhores da divisão.

Desta vez, quem levou a melhor foi Hershko. Num combate tenso e equilibrado, a israelense marcou um yuko já no golden score e virou o roteiro de 2024, cravando o único triunfo internacional da noite sobre uma brasileira. Foi a única derrota da casa em cinco lutas.

Felipe “Preguiça” Pena x Nicholas Meregali (jiu-jitsu) — vitória de Preguiça

Felipe “Preguiça” Pena e Nicholas Meregali na apresentação para o duelo de jiu-jitsu no Spaten Fight Night 3.
Felipe “Preguiça” Pena e Nicholas Meregali na apresentação para o duelo de jiu-jitsu no Spaten Fight Night 3.

A estreia do jiu-jitsu no Spaten Fight Night não poderia ter roteiro mais aguardado pelos fãs da arte suave. Felipe “Preguiça” Pena e Nicholas Meregali, dois multicampeões mundiais, se enfrentaram pela terceira vez no tatame para dar mais um capítulo a uma das rivalidades mais acirradas e duradouras da modalidade nos últimos anos.

No confronto no-gi da categoria pesadíssimo, o equilíbrio prometido se confirmou, e a decisão ficou nas mãos dos árbitros. Pela pontuação apertada de 29 a 28, Felipe Pena levou a melhor — e, pela primeira vez, teve a mão erguida diante do desafeto, colocando um ponto final na trilogia com gosto de acerto de contas.

Com casa cheia, transmissão em rede nacional e um card que passeou por três modalidades diferentes, a 3ª edição do Spaten Fight Night confirmou a fórmula que virou sua marca: reunir boxe, judô e jiu-jitsu numa só noite de gala. No fim, coroou os grandes nomes do cartel diante de uma torcida brasileira que saiu do Pacaembu com muito o que comemorar.

Fonte: PosLuta

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