Artigos

Por quê Floyd Mayweather ganhará a luta do século


Há muito, o boxe vem perdendo popularidade nos EUA, na contra-mão, o MMA, representado por sua maior organização, o UFC, vem angariando fãs por todo o mundo. Se Conor Macgregor, estrela em franca ascensão do UFC, derrotar Floyd Maywheater, possivelmente o maior boxeador que o mundo já viu depois de Mohammed Ali, será uma oportunidade perfeita para o MMA provar sua superioridade sobre o Boxe. Em sua conta no twitter, Oscar De La Hoya, , por muito tempo um dos maiores pugilistas de todos os tempos e agora um dos maiores promotores de lutas de boxe (por meio da Golden Boy Promotions) esbravejou contra a luta: “Foda-se Mayweather vs. Macgregor, ambos são um desrespeito para o boxe” (@OscarDeLaHoya – FUCK YOU #MayweatherVsMcGregor BOTH OF YOU ARE DISRESPECTING THE SPORT OF BOXING). A frase ilustra a preocupação de toda a indústria do boxe.

Vencer para Mayweather é uma obrigação. Ele estará lutando boxe, sua especialidade, com um lutador de MMA, sem experiência nenhuma dentro de um ringue. Não há upside para Mayweather. Por outro lado, uma derrota de Macgregor seria completamente aceitável, já uma vitória o colocaria em um patamar jamais visto na história dos esportes de combate. Macgregor provaria ser o maior lutador que o mundo já viu, seja no boxe ou MMA. Só há upside para o Irlandês.

Acreditamos, no entanto, que isso não deve acontecer. Mayweather sairá vitorioso na noite de hoje (torcemos para estarmos errados).

Por quê Floyd Maywheater sairá vitorioso

Conor Macgregor é um oponente perigoso? Sem dúvida. Nenhum campeão do UFC pode ser subestimado. Mais ainda Macgregor, que vem colecionando cabeças [como ele gosta de falar] no UFC, seja na categoria dos pesos-penas ou meio-médios. Suas vitórias foram esmagadoras. Além disso, Macgregor tem como vantagem o maior peso e altura. Sua maior arma, no entanto, não vem surtindo efeito em Maywheater.

Em todas as suas lutas no UFC o irlandês usou o jogo psicológico contra seus rivais. Sua capacidade de entrar na mente de seus adversários e desestabiliza-los é impressionante. Foi assim que ele conseguiu suas maiores vitórias no UFC. Macgregor entra no octógono já vitorioso. Foi assim que ele derrotou o na época detentor do cinturão dos Penas, José Aldo, com um único soco.

Essa estratégia não surtirá efeito em Mayweather. Já vimos uma prova disso nos eventos promocionais da superluta que ocorreram nos EUA, Canadá e Londres. Mayweather é um lutador experiente, sabe muito bem lidar com o trash talk e a superexposição da mídia.

Além disso, olhando em retrospecto, Mayweather enfrentou os maiores nomes do boxe, cada um deles no seu auge. Venceu Oscar De La Hoya, um dos maiores pugilistas da era moderna, Ricky Hatton, Juan Manuel Marquez, Shane Mosley, Victor Ortiz, Miguel Cotto, Manny Pacquiao e Canelo Alvarez (considerado hoje o mais pugilista em atividade)… A lista é imensa, foram 49 vitórias, sem uma única mancha negativa no seu cartel. Mas o que mais impressiona no cartel de Mayweather foi a forma como ele derrotou todos esses nomes, quase sem grande dificuldade. Poucos conseguiram tirar sangue de Mayweather – Shane Mosley foi o que mais chegou perto e por apenas um único round.

Tantos anos de experiência conferem a Maywheater uma vantagem sem igual sobre Mcgregor, que enfrentará seu oponente em seu habitat natural, com uma memória muscular muito mais desenvolvida para a trocação, já habituado com o ritmo de uma luta com doze assaltos e um cartel sem igual. Se nenhum boxeador conseguiu vencer Floyd nos últimos 20 anos, o que seria capaz de um outsider, vindo do MMA, sem uma luta se quer de boxe em seu cartel, pudesse fazer isso? Não será uma luta fácil, é verdade. Mas ainda sim, Floyd Maywheater deve sair com o braço erguido da luta de logo mais.

O canal Combate vai transmitir ao vivo e com exclusividade a luta entre Floyd Mayweather e Conor McGregor no Brasil. O Combate Play também transmite ao vivo, simultaneamente, e o público poderá assinar pelo sistema a la carte ou comprar o evento avulso para assistir apenas à luta principal.

May-Mac
26 de agosto, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (22h, horário de Brasília):

Peso-super-meio-médio: Floyd Mayweather x Conor McGregor
Peso-leve-júnior: Gervonta Davis x Francisco Fonseca
Peso-meio-pesado: Nathan Cleverly x Badou Jack
Peso-cruzador: Andrew Tabiti x Steve Cunningham

CARD PRELIMINAR (20h, horário de Brasília):
Peso-meio-médio: Yordenis Ugas x Thomas Dulorme
Peso-meio-médio: Juan Heraldez x Jose Miguel Borrego
Peso-super-médio: Kevin Newman x Antonio Hernandez
Peso-super-médio: Savannah Marshall x Amy Coleman

Torne-se um colaborador do Pós-Luta, ajude-nos a crescer e tenha seu nome no site. Conheça os benefícios de ser um colaborador. APOIA.SE!

Artigos

UFC 214: Jon Jones encerra o capítulo Cormier de sua história


Nesta noite, Jonathan Dwight Jones, mais conhecido como Jon Jones encerra um dos capítulos mais controversos de sua carreira. John Jones enfrenta seu maior rival, o também norte-americano, Daniel Cormier, pelo cinturão dos Meio-Pesados do UFC hoje, no UFC 214.

A primeira luta entre ambos ocorreu no UFC 182, Jones venceu Cormier por decisão unânime e manteve o cinturão dos Meio-Pesados. Meses depois foi destituído de seu cinturão, depois de provocar um acidente de trânsito e de fugir do local sem socorrer uma das vítimas, que estava grávida e acabou quebrando o braço.

Após ser reintegrado ao UFC, depois de quase um ano de gancho, Jones enfrentaria o campeão Daniel Cormier no UFC 197 pelo cinturão peso meio pesado, no entanto, Cormier (campeão à época) se lesionou e foi removido do card. O adversário encontrado de última hora para o combate (valendo o cinturão interino) foi Ovince St. Preux, que perdeu por decisão unânime. Apesar da vitória, vimos um Jon Jones diferente do que estávamos acostumados, estava menos agressivo e mais lento, mas isso não muda o fato de ter dominado St. Preux em todos os rounds. Após a luta Jones afirmou que não se importava com o título Interino, pois ele queria o verdadeiro cinturão que estava nas mãos de Daniel Cormier.

Enfim, o duelo tão esperado entre Jones e Cormier deveria acontecer. A unificação do título estava marcada para o UFC 200. Porém, menos de 72h antes do dia da luta o USADA, agência antidoping americana, informa ao Ultimate através de Jeff Novitzky, vice-presidente de Saúde e Performance do UFC, que uma substância proibida foi encontrada em amostras do lutador. Novitzky investiga o uso de esteroides nos esportes há anos pelo Serviço de Receita Interna do governo federal dos EUA, e é agente especial da Administração de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês) desde 2008. Ele teve papel decisivo em algumas das investigações que desmascararam esquemas de doping envolvendo alguns dos maiores nomes do esporte mundial, como Marion Jones, Tim Montgomery, Justin Gatlin e o mais famoso deles, Lance Armstrong. Era o fim, a luta seria oficialmente cancelada. As horas que se seguiram na noite anterior à luta foram de perplexidade pelos fãs e apreensão por parte de Daniel Cormier, seu adversário. Novitzky, informou primeiramente Dana White sobre o notícia e em seguida Malki Kawa, empresário do atleta.

Simulando grandeza, Jones reuniu a imprensa, juntamente com sua advogada e empresário, anunciou ter sido flagrado em um exame antidoping coletado pela USADA mas não poderia revelar qual seria a substância pois a investigação e contra-prova estavam em andamento. Dias depois foi revelado no programa semanal do comentárista Joe Rogan, que duas substâncias proibidas foram encontradas, dois bloqueadores de estrogênio, que são basicamente hormônios femininos. Esses bloqueadores de estrogênio não são, por si só, drogas de aumento de performance, mas são comumente usados como “terapia pós-ciclo”. Isto é, após o uso de esteroides ou de outros agentes anabólicos. Visivelmente abatido e com voz embargada Jones parecia realmente triste, mas talvez por outros motivos. Ao perder a luta Jones também ficou sem sua milionária bolsa para a luta, não receberia nem um centavo se quer, seria o maior pagamento de um atleta na história do Ultimate, esse recorde ficou para Brock Lesnar, que recebeu cerca de $2.5 milhões de dólares na noite de sábado, algo em torno de R$8.26 milhões de Reais. Em entrevista ao jornalista Ariel Helwani, o empresário de Jones, Malki Kawa revelou que o atleta perdera uma bolsa de oito dígitos! Valor que equivale ao dobro de tudo que ganhou ao longo de oito anos de carreira no Ultimate. “Estamos falando de um pagamento de oito dígitos. O Conor McGregor pode falar o que quiser, mas o Jon é, de longe, o cara mais bem pago no UFC” revelou Malki. Realmente é de se chorar.

A separação entre a vida pessoal e profissional dizem os especialistas, é utópica. Justamente por isso, há pessoas que, ao obter sucesso na carreira, se reveste daquele personagem no dia-a-dia, no convívio com a família e os amigos e como consequência, se transformam em alguém irreconhecível. Esse é o caso de Jon Jones, que no octógono é um ser quase imbatível e fora dele age como se tivesse super poderes e pudesse fazer o que bem entender. Ao contrário do que pensa ou faz parecer, Jones não tinha e não tem superpoderes. Hoje é apenas um excelente lutador que caiu em desgraça, alguém que o sucesso para ter transformado.

No evento de hoje, Jon Jones espera encerrar de uma vez por todas o capítulo de Cormier de sua história. Bom para os fãs, que verão sem sombra de dúvida uma das maiores lutas do ano do UFC!

ABAIXO ALGUNS MOMENTOS CONTROVERSOS DA AINDA CURTA CARREIRA DE JON JONES

Jones, não é apenas o campeão invicto dos meio-pesados, ele também o campeão dos golpes baixos no Ultimate. Em sua estréia num card principal foi punido com um ‘No-Contest’ após desferir cotoveladas ilegais em Matt Hammil. Pisão no joelho e dedo no olho também fazem parte do arsenal do lutador e por muitas vezes parece ser aplicado de forma proposital em seus adversários.

Em maio de 2012, Jones bateu sua Bentley Continental GT em um poste, em Binghamton, Nova Iorque. Preso na mesma hora por dirigir sob a influência de álcool, foi solto da prisão após sua mãe pagar fiança de $1.000 dólares. Como punição teve sua carteira de motorista suspensa por seis meses e teve um bloqueador de velocidade instalado em todos seus veículos. Ironicamente, no mesmo ano Jones deu um treinamento na policia local com o mesmo ‘sheriff’ que o prendeu.

Pela primeira vez na história um evento inteiro foi cancelado devido Jones recusar a enfrentar Chael Sonnen, numa substituição feita oito dias antes do evento. Dan Henderson seria o adversário de Jones, mas sofreu uma lesão, levando o Ultimate oferecer a substituição por Chael Sonnen, após a recusa do campeão Dana decidiu cancelar o card inteiro, algo inédito até hoje. A luta só ocorreu no ano seguinte.

Em sua preparação para luta contra o brasileiro Glover Teixeira, Jones foi acusado por um fã Sueco de insultos homofóbicos no Instagram; após ser provocado, Jones retalhou postando xingamentos em diversas das fotos pessoais do suposto fã. Para deixar a situação mais bizarra e constrangedora Jones comunica no Twitter que seu celular foi roubado e consequentemente teve sua conta foi hackeada.

Durante um evento promocional do UFC 178, em Las Vegas, Jon Jones e Daniel Cormier protagonizaram uma das cenas mais inusitadas já vistas. Na tão aguardada encarada entre os dois Jones encosta a testa em Cormier que o empurra, a partir daí se inicia uma briga generalizada. O incidente teve consequências irreparáveis para Jones, que teve seu contrato com a Nike cancelado.

Em Janeiro de 2015 a primeira bomba, Jones, foi pego em um exame antidoping surpresa realizado pela Comissão
Atlética de Nevada (NSAC), a substância encontrada foi benzoilecgonina, principal metabólico da cocaína. Imediatamente ao anuncio do doping Jones anunciava que daria entrada em um Centro de Reabilitação para Usuários de Drogas. Tão chocante quanto a notícia foi a descoberta que o lutador passou apenas uma noite na reabilitação e voltou para casa.

Em abril do mesmo ano, o lutador se envolveu em um acidente de carro na cidade de Albuquerque, nos Estado norte-americano do Novo México. Na ocasião, o carro do atleta colidiu no veículo de uma mulher grávida. Ele fugiu sem prestar socorro e foi detido dias depois. Por esse motivo, “Bones” perdeu o título do UFC e foi suspenso pela organização, sendo condenado a prestar serviços comunitários sob liberdade condicional. E novamente perdeu mais um contrato milionário, desta vez da Rebook. Para piorar a situação – se é que isso é possível, pouco tempo depois foi detido novamente, dessa vez por ter disputado racha com seu veículo.

Torne-se um colaborador do Pós-Luta, ajude-nos a crescer e tenha seu nome no site. Conheça os benefícios de ser um colaborador. APOIA.SE!

Notícias, UFC

UFC e Canal Combate lançam série documental


O UFC, o Combate e a Academia de Filmes se reuniram para produzir a série documental “Espírito da Luta”, que estreia no canal no próximo dia 10 de julho na faixa sessão Combate. Durante três episódios, que serão exibidos semanalmente no Combate às segundas, às 20h, o público poderá conhecer a origem das artes marciais e o contexto em que o MMA foi criado. Os episódios, dirigidos pelos cineastas João Wainer, Paulo Caldas e Tadeu Jungle, também trazem imagens de arquivo de grandes confrontos, entrevistas com atletas, fãs de artes marciais e depoimentos dos fundadores do UFC.

O documentário de estreia, “12 de novembro”, é dirigido por João Wainer e conta a história da criação do primeiro evento de MMA, o UFC 1, ocorrido na data. Com animações, locuções e entrevistas com Art Davie e Rorion Gracie, criadores do campeonato, o público pode acompanhar a ordem cronológica do surgimento do maior evento de MMA atualmente e fenômeno mundial. O documentário promove ainda um encontro inédito entre Royce Gracie e Art Jimmerson que assistem juntos e relembram curiosidades sobre o confronto entre eles.

O cineasta Paulo Caldas é o responsável pelo documentário exibido na segunda semana, no dia 17 de julho. “Paixão e Luta” mostra como diferentes etnias ao redor do mundo compartilham histórias e sua paixão pelo esporte. A produção acompanhou a preparação e expectativa de diferentes torcedores em lutas decisivas de grandes ídolos do esporte como José Aldo, Conor Mcgregor e Nate Diaz. As filmagens também visitaram fãs de MMA nas Filipinas, Irlanda, Irlanda do Norte, Estados Unidos e Brasil.

O último documentário da temporada é “Terra da Luta” de Tadeu Jungle, exibido no dia 24 de julho. O diretor apresenta artes marciais praticadas em diferentes comunidades como a luta Huka-Huka, original das tribos indígenas Kamayurá, e a luta Marajora, típica de Soure, na Ilha de Marajó no Pará. Também faz parte do documentário uma visita a Salvador para entrevistas com personagens importantes como Mestre Itapuã e Mestre Nenel para investigar as origens da principal luta praticada no Brasil, a capoeira. “Espírito da Luta” é uma coprodução de Academia de Filmes, UFC e Combate.

Ult. Fighter/Gracie

Sobre os diretores:

João Wainer
Diretor e fotógrafo. Passou pelos jornais Folha de S. Paulo e Jornal da Tarde. Dirigiu os documentários “JUNHO – O mês que abalou o Brasil” e “PIXO” sobre o fenômeno da pichação em São Paulo. Assinou a direção de fotografia dos documentários Xpress (2009, MTV internacional / UNICEF) e na série Chico Buarque (2006/2007, TV Bandeirantes / Multishow).

Paulo Caldas
É diretor e documentarista. Codirigiu com Lírio Ferreira “Baile Perfumado” (1997), vencedor do Festival de Brasília. Escreveu o roteiro de “Cinema, Aspirinas e Urubus” (2005), em parceria com Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, dirigido por Gomes. O longa foi selecionado para a mostra Um Certo Olhar, do Festival de Cannes e vencedor do prêmio especial do júri no Festival do Rio.

Tadeu Jungle
É um artista multimídia. Entre outros trabalhos, dirigiu os curtas-metragens em VR “Fogo na Floresta” (2017) e “Rio de Lama” (2016), o longa- metragem “Amanhã Nunca Mais” (2011), e codirigiu o documentário “Evoé – Retrato de um Antropófago”, sobre Zé Celso Martinez Corrêa, criador do Teatro Oficina, entre outros projetos.

Torne-se um colaborador do Pós-Luta, ajude-nos a crescer e tenha seu nome no site. Conheça os benefícios de ser um colaborador. APOIA.SE!

Artigos

Sakuraba, pioneiro do esporte, lenda viva do MMA, agora no Hall da Fama do UFC


No dia 6 de julho, em cerimônia a ser realizada em Las Vegas, Estados Unidos, mais uma lenda do MMA ingressará no Hall da Fama do UFC, na categoria “Pioneiros”. Kazushi Sakuraba será homenageado no Hall da Fama do UFC ao lado de Urijah Faber, Maurice Smith e Joe Silva. Desconhecido pelos novos fãs de MMA, Sakuraba é uma unanimidade para qualquer um que tenha acompanhando o esporte nos últimos anos: “Sakuraba é excepcional! É um dos melhores lutadores até hoje” elogia Dana White, no livro “Kanashimi no Boku” autobiografia escrita pelo próprio lutador. Renzo Gracie, oponente do lutador no PRIDE 10 enfatizou certa vez: “A versão japonesa da família Gracie”.

Hoje com 47 anos Saku se diz honrado com o reconhecimento; “Quando eu subi no octógono 20 anos atrás no Ultimate Japan, no torneio dos pesados, eu nunca poderia imaginar que um dia seria convidado para entrar no Hall da Fame, junto com outras lendas. É meu desejo compartilhar essa honra para o mundo das artes marciais. Eu dei tudo o que pude nos treinos para poder aperfeiçoar minhas técnicas para dar aos fãs o espetáculo que eles mereciam. Acredito de coração que esse seja meu propósito na vida, sempre tentei alcançar o limite em tudo o que fazia.” diz Saku.

Há 20 anos, o UFC realizava seu primeiro evento internacional e a organização numa tentativa de popularizar a franquia no Japão, assina com as estrelas do Pro-Wreslting local: Hiromitsu Kanehara e Yoji Anjo — sim, o mesmo do célebre desafio à Rickson Gracie em sua academia, porém como obra do destino, Kanehara se lesiona num treino poucos dias antes do torneio e o recém-chegado ao Dojo Takada, Kazushi Sakuraba é promovido para substituí-lo.

Embora tenha uma passagem discreta pela organização — ele lutou duas vezes no torneio, com um “No Contest” e uma finalização por chave de braço, ambos resultados contra o brasileiro Marcus “Conan” Silveira no UFC Japan — Sakuraba fez história no MMA, representando seu país, o Japão e o Pro-Wrestling­­­. Nenhum outro lutador asiático alcançou uma carreira tão gloriosa no MMA como Kazushi Sakuraba. Apesar de sua carreira quase que irrelevante no UFC vemos essa homenagem como justíssima e marca mais um sucesso na carreira deste que é considerado um dos maiores ícones do esporte.

Sakuraba ficou conhecido pelo apelido de “The Gracie Hunter”, ou Caçador de Gracies em português. No entanto o apelido não é justo, já que quem o caçava eram os Gracie, embora sem sucesso. Sakuraba os derrotou um a um e em seu próprio jogo. Sua sequência de vitórias sobre os membros da família Gracie: Royler, Royce, Renzo e Ryan Gracie e sua trilogia com Wanderlei Silva, o “Cachorro Loco”, entraram para a história. Carlos Newton, Vitor Belfort, Guy Mezger, Quinton Jackson, Kevin Randleman, Ken Shamrock também não guardam boas memórias de Sakuraba nos ringues do PRIDE.

A Rivalidade com os Gracie

O primeiro encontro de Sakuraba com um Gracie foi no PRIDE 8. Na ocasião o japonês enfrentou Royler Grace. Desde que soou o gongo, Sakuraba mostrou superioridade na luta, desferindo chutes violentos contra Royler. Havia um simbolismo aí. À época, o nome da família Gracie figurava no topo do MMA mundial. Seus membros eram temidos. Jamais você viria um Gracie ser surrado dentro de um ringue ou no tatame. Isso não era comum. E, de repente, um japonês vindo do Pro-Wrestling inverteu o jogo e claro, ganhou a torcida e admiração nacional. A luta terminou de forma controversa. Sakuraba venceu Royler por finalização por meio de uma Kimura. No entanto, Royler não bateu. O juiz vendo a finalização bem encaixada e após uma falta de resistência de Royler acabou encerrando a luta. Sentindo-se injustiçados, os Gracie pediram uma nova luta com o japonês.

A possibilidade de uma revanche ocorreu no ano seguinte à primeira luta com Royler, no PRIDE Grand Prix 2000 Finals. Sakuraba enfrentou Royce Grace pelas quartas de final do evento do GP de Peso Aberto do Pride.  A luta também carregava um certo simbolismo, colocando frente a frente dois dos maiores nomes do MMA da época. Royce já era uma lenda. Popularizou o jiu jitsu nos Estados Unidos ganhando de forma surpreendente o UFC 1 (UFC 1: The Beginning), UFC 2 (UFC 2: No Way Out) e UFC 4 (Revenge of the Warriors). Coube a Royce honrar o nome da família.  Alguns momentos da luta, como o sorriso de Sakuraba ao tentar finalizar Royce com uma Kimura ou quando levantou o brasileiro do chão pela faixa do kimono ficaram imortalizados. O embate entrou para a história do MMA não só pelo contexto da rivalidade, mas por ter sido uma das lutas mais longas da história. Com rounds ilimitados e sem intervenção do árbitro, a luta terminou no 6º round aos 15 minutos. Depois de uma longa batalha, os Gracie jogaram a toalha, literalmente. Exausto, Royce não apresentava mais condições de continuar na luta.

saku-39-up-psAinda naquele ano, Sakuraba enfrentaria Renzo Gracie, outro lendário membro da família pelo PRIDE 10. A luta terminou de forma feia para o brasileiro. Renzo foi pego em uma Kimura no final do 2º round e teve seu braço quebrado por Sakuraba, em uma cena de arrepiar até os mais durões. Ainda hoje Renzo relembra esse momento como algo positivo em sua vida como artista marcial. “Essa luta foi muito importante para mim. Ficou claro para mim que minha mente sempre foi mais forte que meu corpo e ele [Sakuraba] provou isso para mim. Quando eu tive meu braço quebrado eu não desisti. E eu não iria desistir. Eu lembro de ter olhado para o arbitro e pensado: isso acontece o tempo todo, continue. Não pare a luta.” Disse Renzo em entrevista para a Graciemag.com. “Essa luta me fez compreender melhor todos os aspectos de uma luta… como é lutar com um braço quebrado e se isso acontecer como eu me sentiria. Já isso com alguns lutadores, alguns choram e gritam em pânico. Quando aconteceu comigo eu tinha um sorriso no rosto. Ainda que a dor fosse grande a única coisa que eu pensava era como eu havia sido pego nisso? Como ele conseguiu? Depois dessa luta eu entendi que a luta só acaba quando soa o gongo. Você não pode parar. Até aquele momento [da interrupção do juiz] eu acreditava que iria ganhar a luta.” completa o brasileiro.

Quatro meses depois foi a vez de Ryan Gracie entrar na sequência de derrotas dos Gracie para Sakuraba. Como em todas as lutas anteriores, alguns momentos dessa luta parecem surreais. Ver Ryan Gracie no chão levando tapas na bunda não era algum comum. Sakuraba venceu Ryan por decisão unânime dos juízes no PRIDE 12. Depois de fazer seu nome vencendo todos os Gracie que passaram por sua frente chegou a hora do Brasil ser vingado. Ao contrário dos Gracie, Wanderlei Silva, o “Cachorro Loco” impôs um novo tipo de jogo sobre Sakuraba, a trocação franca, algo até então pouco explorado por seus adversários.

Trilogia: Wanderlei Silva – Sakuraba

Ao contrário da família Gracie, com o brasileiro Wanderlei Silva a história de Sakuraba não é tão gloriosa. Foram três embates, com três vitórias de Wanderlei. A primeira luta entre ambos ocorreu no ano de 2001, no PRIDE 13: Collision Course,  quando Sakuraba sofreu um nocaute técnico logo no 1º round em menos de dois minutos de luta. Foram dois minutos de uma luta intensa, com direito a joelhadas e tiros de meta na cabeça de Sakuraba. Esses golpes inclusive se tornaram a marca do Cachorro Loco. Na ocasião, ambos estavam no auge de suas carreiras. Wanderlei vinha iniciando sua carreira no Japão. Já acumulava importantes vitórias em seu cartel contra Dan Henderson e Guy Mezger e ainda naquele ano ganharia o cinturão do Peso Médio no PRIDE. Enquanto que Sakuraba, estrela no seu país, já era conhecido pelos brasileiros por suas vitórias esmagadoras sobre o clã Gracie.

No segundo embate entre ambos, no PRIDE 17: Championship Chaos outra vitória de Wanderlei por nocaute técnico. Apesar do resultado, essa foi uma luta mais disputada, com Sakuraba levando Wanderlei ao chão logo no começo da luta. Sakuraba não pode retornar ao 2º round por conta de uma lesão na clavícula, resultado de uma queda de Wanderlei em Sakuraba.

Coube ao destino colocar os dois mais uma vez frente a frente, Wanderlei e Sakuraba fizeram a luta principal da noite, as quartas de final do Torneio de Médios de 2003 no PRIDE Total Elimination. Essa foi a última luta entre ambos e com certeza uma das melhores. Ainda no 1º round Wanderlei conseguiu um nocaute devastador sobre Sakuraba – um dos mais bonitos de sua carreira. Com exceção da segunda luta, foram duas vitórias incontestáveis de Wanderlei sobre Sakuraba, que mostrou boas lutas para o público, inclusive em suas derrotas.

Torne-se um colaborador do Pós-Luta, ajude-nos a crescer e tenha seu nome no site. Conheça os benefícios de ser um colaborador. APOIA.SE!